Salve, salve...
Faz tanto tempo que não aparecemos por aqui, que não lembro
como era nossa saudação.
Pedi muito para a Jenny “reviver” esse blog. E voltar a ter
as ideias que sempre tivemos, mas que protelamos tanto para colocar em prática.
A gente vive numa dinâmica de sobrevivência que nos afasta das nossas vontades,
dos nossos desejos, e nos faz esquecer quem somos.
Estou aqui, sentada no meu sofá, com aquele sono que a gente
não consegue dormir, sabe? Aquele que a mente afasta porque são tantos pensamentos
que o relaxamento não vem, não ultrapassa a barreira de coisas malucas que
entopem a minha cabeça.
E, do meu sofá, assisto na tv o reality show da época,
aquele que rola todo ano desde 2020... qual a graça de ver o comportamento dos
outros em rede nacional, se nem do meu dou conta? Ah... mas olhar o outro, nas
suas nuances humanas de erros, acertos, absurdos gera um prazer... se não fosse
isso, não existiria uma leva desses programas disponíveis para nos deleitar.
Jenny gosta mais dessa programação do que eu. Na verdade,
deixo ligado para não ouvir as “vozes da minha cabeça” gritando e me
enlouquecendo. Eu sei que um remedinho para dormir ajudaria... mas, hoje,
especificamente hoje, não quero me dopar para ter o “sono dos justos”.
Porque, dormir pode me fazer sonhar com os dias péssimos que
tenho vivido. Está tudo bem de saúde, família vai bem, dinheiro nunca tenho
mesmo (já sei lidar com a dureza faz tempo), trabalho na mesma pressão e
insalubridade de sempre... o problema mesmo é o meu coração, que dessa vez
resolveu agir com a razão, mas se despedaçou.
Eu costumo pensar que não sofro por uma coisa só. Vou
juntando momentos e, quando não tem mais espaço para conter, o sofrimento
explode em ondas de dor, porque sofrer dói. Dói a alma, dói o físico, dói o
peito. E como dói. Falta o ar, falta o chão, falta a solução. E a dor custa um
tempo, que eu não tenho nas minhas demandas diárias. Então, ela volta para uma
caixinha mas fica lá, latejando, esperando a oportunidade de pular para fora e
causar um estrago.
Passeando pelo Instagram, cheguei no perfil do Alexandre
Coimbra que fala do tempo da dor, do tempo da escuta da dor, do quanto é
necessário sentir esse momento e não impedir que aconteça. “Todo ser humano tem
o direito a ter tempo para escutar as suas dores de existir e tem direito de
não ser julgado pelo potencial de sofrimento que essas dores têm para ele” –
trecho do seu livro “A esperança a gente planta”.
Agora, necessariamente, vou escutar a minha dor. Não sei se
consigo falar dela para outras pessoas, mas vou escutá-la. Eu e ela, na nossa
intimidade, buscando uma conexão para que eu possa entendê-la e, assim,
elaborar estratégias para curá-la.
Será que cura?
@vanvvaz
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